CONTEXTO
A banana é o segundo fruto mais produzido e consumido no Brasil, segundo país no ranking de produção mundial. Uma de suas maiores regiões produtoras é o Vale do Ribeira, com 11% da produção nacional. Situado entre as regiões sul do estado de São Paulo e norte do estado do Paraná, o Vale ocupa uma área total de 2.830.666 hectares e quase 40% dê sua população habita a zona rural, distribuindo-se em cerca de 400 comunidades rurais.
A região destaca-se pelo alto grau de preservação de suas matas e por sua grande diversidade ecológica. São mais de 150 mil hectares de restingas e 17 mil hectares de manguezais conservados, além de 2.1 milhões de hectares de florestas, equivalentes a aproximadamente 21% dos remanescentes de Mata Atlântica do país, o que faz do Vale do Ribeira a maior área contínua desse importante ecossistema em todo o país.
Em contraponto às riquezas naturais, o Vale do Ribeira apresenta o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado de São Paulo, e suas comunidades carecem de alternativas economicamente viáveis de trabalho. Essa carência contribui para a vulnerabilidade social – refletida, por exemplo, nos índices de violência – e para o agravamento de problemas ambientais, como a extração ilegal de palmito.
OPORTUNIDADE
A produção de banana gera como subproduto grandes volumes de tecido fibroso da bananeira, uma vez que, após ser retirado o cacho, os produtores descartam o pseudocaule e as folhas da planta, deixando-os no solo para que se decomponham naturalmente, como forma de adubação natural. Esse processo gera diversos problemas, entre eles a proliferação de doenças nos bananais e a emissão de gases do efeito estufa.
A partir destes resíduos nasce uma das alternativas mais conhecidas de geração de emprego e renda nas regiões bananicultoras: o artesanato com a fibra de bananeira. A principal atividade dos artesãos é a tecelagem da fibra e palha da bananeira, na confecção de objetos como jogos americanos, utilitários, bolsas, caixas de presente, cestarias e afins; e também a fabricação de papéis artesanais de fibra, que ocorre em menor escala. Ambas são formas de agregar valor ao produto bruto dos pequenos agricultores, gerando com isso uma renda extra para as famílias envolvidas na cadeia do artesanato.
INOVAÇÃO
A partir de pesquisas em campo, a Fibra Design Sustentável conheceu a artesã Genilda Morais, que produz papéis artesanais de fibra de bananeira no município de Itariri, no Vale do Ribeira, contribuindo para a geração de emprego e renda da comunidade local.
O contato da Fibra com o trabalho da artesã gerou sinergia e despertou na empresa a vontade de desenvolver um novo material, a partir de aprimoramentos do processo utilizado por ela. Todo o seu desenvolvimento, que contou com o apoio da marcenaria carioca FENAL, foi pautado no desafio de apresentar soluções aos principais problemas no negócio de papéis artesanais – ausência de demanda constante do mercado; carência de estruturação e formalização do negócio; e baixo valor agregado do produto final.
O resultado é o BananaPlac, um painel laminado composto por fibras de bananeira e resina biodegradável, proveniente do óleo da mamona. As lâminas de fibra de bananeira que compõem o material utilizam apenas bananeira, água e soda de origem natural (oriunda de cinzas vegetais). No caso dos materiais coloridos são adicionados corantes de base mineral (a utilização de corantes naturais ainda está em fase de pesquisa). É um material versátil, produzido em espessuras que variam de 0.5mm a 3mm, e pode ser utilizado tanto como revestimento, destinado aos mercados de arquitetura e decoração, quanto na confecção de produtos e brindes ecológicos.
REPERCUSSÃO
Atualmente o BananaPlac é produzido em Itariri, na primeira Unidade Modelo de Produção de BananaPlac. A Fibra transferiu a tecnologia de produção (com patente requerida) para Genilda Morais e estimulou a regularização de seu negócio, que hoje é uma empresa formalizada em seu nome. Baseado nos princípios do comércio justo, um acordo de royalties foi estabelecido entre Genilda e Fibra.
O material já foi utilizado em uma série de brindes ecológicos e exposto em mostras de decoração, como a Casa Cor 2008, Mostra Campinas Decor 2009 e Casa Cor 2009.
A idéia com essa unidade modelo de produção é mostrar a viabilidade do material, testar sua aceitação no mercado e exportar a tecnologia para outras regiões brasileiras de banana. Com isso espera-se contribuir para a geração de renda nessas comunidades e para o ganho de escala de produção através de investimentos nos capitais humano e natural.