
Já que falamos um pouco de anos que ainda não aconteceram nos últimos posts, dêem uma olhada nesse restaurante na Nova Zelândia. Parece um projeto do futuro mas não é. Seu nome é Yellow Treehouse Restaurant, e seu projeto é assinado pela Pacific Environments Architects (PEL).

Lembrando uma grande crisálida imbutida em uma árvore de 40 metros de altura, a construção utiliza de forma racional materiais provenientes da própria região em que foi construído, e faz amplo uso de luz natural em seu interior.
Quando foi abordado pela Yellow Pages para projetar uma casa na árvore, o escritório PEL mergulhou de cabeça na ideia. "O conceito da casa na árvore faz lembrar os sonhos e as brincadeiras da infância, contos de fadas de encantamento e imaginação.", diz PEL. "É a casa na árvore que todos sonhamos quando crianças, mas só podíamos realizar como uma fantasia de adulto." O projeto realmente é mágico, localizado em um bosque próximo a um córrego. O restaurante - com 10 metros de largura e 12 metros de altura - fica situado a 10 metros do solo.
É um projeto integrado a natureza, projetado de modo a não interferir na sobrevivência da árvore e que nos faz pensar como nossas cidades poderiam ser de outra forma que não a que conhecemos. Além disso, as questões que envolvem a sustentabilidade do projeto não dizem só respeito ao conceito e a forma do restaurante, mas também ao material utilizado em sua estrutura principal: as vigas de glulam representam uma alternativa renovável, com redução na geração de lixo e com uma menor pegada ecológica do que o aço ou o concreto. Além disso, a colheita e o corte no local da produção gera a menor pegada possível. Com tantos atributos de sustentabilidade como esses, o que pode ser criticado em tal projeto?

Essa é uma questão latente dos arquitetos: o cliente é coerente em suas ações políticas, éticas, sociais e ambientais? O projeto do Restaurante, pro exemplo, faz parte de um grande esforço de marketing da empresa Yellow Pages no sentido de promover os seus serviços. A campanha inclui um garoto propaganda, um blog, webcam ao vivo, concursos e muito mais. A princípio nada de errado em realizar publicidade...
No entanto, a cada ano, somente nos Estados Unidos são impressos 500 milhões de catálogos - quase 2 livros por pessoa no país - o que representa aproximadamente 9 milhões de árvores derrubadas, 720 mil toneladas de papel consumido, 7.2 milhões de barril de petróleo gastos no processo, e assim por diante. A Agência de Proteção Ambiental americana estima que os catálogos representam mais de 5% do total de resíduos em aterros.
Esse movimento de entender o cliente e conhecer os impactos ambientais e sociais dos seus serviços e produtos deve fazer alguma diferença no aceite ou não do projeto? Como se deve atuar na profissão para não deixar de se sustentar financeiramente e realizar ideias e projetos mais sustentaveis, sem com isso trair alguns princípios? São questões importantes, muito difíceis ou até mesmo impossíveis de serem respondidas, mas que não por isso não devem ser descartadas...


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